A mãe mais fascinante e o filho mais brilhante

mm “Maria sabia que perderia seu filho, mas Jesus a poupou da antecipação angustiante. Não queria que o futuro a atormentasse. Se havia um transtorno psíquico que Jesus sempre procurava prevenir era o de sofrer por antecipação. ua habilidade em administrar sua emoção era tão grande que conseguiu jantar na última ceia, mesmo sabendo que seria crucificado na manhã seguinte. Sabia do futuro sombrio, mas não admitia que as intempéries fossem um ladrão da sua tranquilidade no presente. Embora Maria conhecesse alguns fatos que aconteceriam com seu filho, tudo parecia surreal, como um anagrama. Sua prisão foi repentina e sua condenação, sumária, suas feridas, intensas. Bastou uma noite para o futuro nunca mais ser o mesmo.

Ao ver seu filho agonizar na cruz, Maria mergulhava dentro de si. Não conseguia fugir das imagens que transitavam em sua memória. O menino que ela amamentou, embalou e acarinhou a cabeça agora tinha uma coroa de espinhos. O menino que sempre foi honesto, fiel aos seus pensamentos agora era tratado como o mais vil dos impostores.

Ela investia contra o cordão de soldados, queria abraçar seus pés, cuidar de suas feridas e estancar seu sangue, mas foi barrada. Maria chorava copiosamente.A mais forte das mulheres nesse momento era a mais impotente. A que se tornaria a mais famosa e a mais elogiada de todos os tempos entre as mulheres agora era a mais anônima e ninguém a ouvia. Os paradoxos que acompanharam seu filho teceram também alguns textos da sua história. Ela não queria fama, elogios e exaltação, apenas abraçar seu filho, pelo menos pela última vez.

Ele estava trêmulo na cruz. Podia sentir as batidas lentas do seu coração, querendo descansar dos sofrimentos. Os pulmões, ofegantes, mal conseguiam respirar.
Seu cérebro estava em sofrimento, tinha vertigens, queria desmaiar, mas ele se esforçava para se manter lúcido até o último minuto de vida. Sua coragem era impressionante.

Mas o ar era pouco e suas forças, diminutas. Não poderia falar muito. Então, soltou sua voz, dizendo: "Mulher, eis aí o teu filho"39.
Esta frase curtíssima veio carregada de afeto e simbolismo sem precedentes. Como não podia usar as mãos, falou meneando a cabeça ferida pela coroa de espinhos. Apontou para João e disse para Maria tomá-lo como filho. Mais uma vez, diante desse texto inúmeras pessoas ao longo da História, inclusive inumeráveis teólogos, perguntam-se por que Jesus chamou Maria de "mulher" e não de "mãe". Não entendem que Jesus usou novamente sua famosa senha: "mulher".

Não houve frieza, mas poesia. Não houve distância, mas intimidade. Duas pessoas quando se conhecem intimamente e se amam profundamente não precisam de discursos para se comunicar. Bastam pequenos gestos, os símbolos do afeto. Jesus, como o mais amável dos filhos, parecia querer dizer a Maria: "Mãe, eu a amo, mas você sabe quem eu sou. Você se entregou por mim, agora me entrego também por você. Sei que é quase impossível o que vou lhe pedir, mas procure se colocar não como minha mãe, mas como uma mulher, a mais bem-aventurada, a escolhida pelo meu Pai. Seja uma mulher forte. Eis João, tome-o como seu filho. Toda vez que cuidar dele é como se estivesse cuidando de mim…".”

fonte: livro Maria a maior educadora da história.

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