A Teoria Dia-Ano

cube Recentemente o estudo da profecia tem adquirido uma má reputação entre os crentes por causa da chamada “teoria dia-ano”. De acordo com essa teoria, muitos números de dias nas escrituras são computados como se um dia fosse um ano; e dessa forma são encorajadas predições sobre a data precisa da segunda vinda do Senhor Jesus Cristo – um exercício mental que é totalmente contrário ao anúncio do Senhor pois ninguém sabe o dia do Seu retorno, nem mesmo o próprio Jesus. Então, também, alguns comentaristas do livro de Apocalipse misturaram a palavra de Deus a fim de confirmar essa teoria dia-ano. Nós não temos intenção de discutir essa teoria; nós apenas desejamos apontar um entendimento correto sobre os “dias” que são mencionados na Bíblia.

Os advogados da teoria dia-ano baseiam a sua concepção em Números 14.34 e Ezequiel 4.6. Examinemos primeiro o que diz em Números: “Segundo o número dos dias em que espiastes a terra, quarenta dias, cada dia representando um ano, levareis sobre vós as vossas iniqüidades quarenta anos e tereis experiência do meu desagrado.” Aqui nos é dito que devido à sua incredulidade, os filhos de Israel foram disciplinados por Deus durante quarenta anos, um ano para cada dia que eles espiaram a terra. Mas isso não se aplica igualmente para os outros “dias” mencionados nas Escrituras, e certamente também não para os “dias” achados em Apocalipse. Assim também é em Ezequiel: “Quando tiveres cumprido estes dias, deitar-te-ás sobre o teu lado direito e levarás sobre ti a iniqüidade da casa de Judá. Quarenta dias te dei, cada dia por um ano.” Aqui vemos que Ezequiel recebeu a ordem de deitar em uma certa posição em resposta à iniqüidade de Judá. Isso não tem nada a ver com os outros “dias” achados na Bíblia.

Vejamos outras passagens.

(1) “Porque, daqui a sete dias, farei chover sobre a terra durante quarenta dias e quarenta noites; e da superfície da terra exterminarei todos os seres que fiz” (Gen. 7.4). Por acaso Deus esperou sete anos e depois fez chover durante quarenta anos? Não, pois o registro continua e explica: “E aconteceu que, depois de sete dias, vieram sobre a terra as águas do dilúvio… e houve copiosa chuva sobre a terra durante quarenta dias e quarenta noites.” (vv.10,12). Aqui um dia não é um ano.

(2) “Então, lhe disse José: Esta é a sua interpretação: os três ramos são três dias; dentro ainda de três dias, Faraó te reabilitará e te reintegrará no teu cargo” (Gen. 40.12,13). Por acaso foi após três anos que o chefe dos copeiros foi liberto da prisão? Não mesmo: “No terceiro dia… reabilitou o copeiro-chefe” (vv.20,21).

(3) “Então disse Jeová a Moisés: Eis que vos farei chover do céu pão, e o povo sairá e colherá diariamente a porção para cada dia… Dar-se-á que, ao sexto dia… será o dobro do que colhem cada dia” (Ex. 16.4,5). Os filhos de Israel saiam para colher o maná diariamente, e não uma vez por ano.

(4) Deus deu carne ao povo de Israel por “um mês inteiro”(Num. 11.19, 20). Eles não comeram carne por trinta anos.

(5) “Em três dias atravessareis o Jordão” (Josué 1.11). O que realmente aconteceu, afinal? Os filhos de Israel cruzaram o rio Jordão depois de três anos? Não, eles o cruzaram depois de três dias.

(6) “Assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia; também o Filho do Homem estará três dias e três noites no coração da terra” (Mateus 12.40). Por acaso o Senhor Jesus ficou no coração da terra por três anos? Nós sabemos, através do registro bíblico, que Ele ficou lá por apenas três dias e três noites.

A partir dessas evidências, portanto, podemos concluir que a teoria dia-ano é errônea. Se alguns dos “dias” encontrados no livro de Apocalipse devem ser interpretados como anos, então todos os outros “dias” encontrados nele também devem ser tratados como anos. Então, nesse caso, os três anos e meio da Grande Tribulação teriam que ser calculados como dois mil duzentos e sessenta dias; e o reino milenar deveria se estender para trezentos e sessenta mil anos. Obviamente, nós sabemos que tais cálculos como esses não podem ser verdadeiros. Confiemos, portanto, no Espírito Santo para nos guiar corretamente quando lemos a palavra de Deus. Não procuremos por idéias estranhas como essa. Embora a Bíblia seja cheia de maravilhas, não deve ser explicada de nenhuma forma curiosa ou bizarra. Nós devemos aprender a sermos mais obedientes a Deus em nossos pensamentos. Dessa maneira não seremos propensos a mal-interpretar a Sua palavra.

Por W. Nee

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