O prefácio dos 10 mandamentos – Êxodo capítulo 20

Versículos 1-2

Deus fala de muitas maneiras aos filhos dos homens; pela consciência, por providências, por sua voz, a todas as quais devemos atender cuidadosamente; mas nunca falou, em momento algum, como quando deu os Dez Mandamentos. Deus tinha dado antes esta lei ao homem; estava escrita em seu coração, mas o pecado a desfigurou tanto que foi necessário reviver o conhecimento dela. A lei é espiritual, e toma conhecimento dos pensamentos, desejos e disposições secretas do coração. Sua grande exigência é o amor, sem o qual a obediência externa é pura hipocrisia. Requer obediência perfeita, infalível, constante; nenhuma lei do mundo admite a desobediência. Qualquer que guardar toda a lei, mas ofender um único ponto, se faz culpável de todos (Tg 2.10). omitir ou variar algo no coração ou na conduta, em pensamento, palavra ou obra, é pecado e o salário do pecado é a morte.

Versículos 3-11

Os primeiros quatro dos dez mandamentos, correntemente chamados a Primeira Tábua, falam de nosso dever para com Deus. Resulta adequado que estes fossem colocados primeiro, porque o homem teve um Criador para amar antes de ter um próximo para amar. Não pode esperar-se que seja veraz com seu irmão aquele que for falso com seu Deus.

O primeiro mandamento se refere ao objeto de adoração, Jeová, e somente a Ele. aqui se proíbe adorar criaturas, porém o mandamento vai além. Aqui se proíbe amar, desejar, deleitar-se ou esperar algo bom de qualquer complacência pecaminosa. Transgride este mandamento tudo o que não seja por amor, gratidão, reverência ou adoração perfeita. Tudo o que façam façam-no para a glória de Deus.

O segundo mandamento se refere à adoração que devemos render ao Senhor nosso Deus. é proibido fazer imagem ou retrato da Deidade em qualquer forma ou propósito; ou adorar qualquer criatura, imagem ou quadro, mas o alcance espiritual deste mandamento vai muito além. Aqui se proíbe toda classe de superstição e o emprego de invenções puramente humanas para a adoração de Deus.

O terceiro mandamento se refere à forma de adorar, que seja com toda reverência e seriedade possível. Proíbem-se os falsos votos. Toda alusão leviana a Deus, toda maldição profana é uma horrenda transgressão deste mandamento. Não importa se são usadas as palavras com ou sem sentido. Toda broma profana com a palavra de Deus ou com as coisas sagradas e todas as coisas semelhantes violam este mandamento e não há proveito, honra nem prazer nelas. O Senhor não terá por inocente a quem tomar seu nome em vão.

A forma do quarto mandamento, "Lembra-te", demonstra que não é a primeira vez que este é dado, senão que era conhecido antes pelo povo. um dia de cada sete deve ser santificado. Seis dias são dedicados aos assuntos do mundo, mas não como para descuidar o serviço de Deus e o cuidado de nossas almas. Nestes dias devemos fazer todo nosso trabalho, sem deixar nada para fazer no dia de repouso. Cristo permitiu os trabalhos inevitáveis, e as obras de caridade e piedade; porque o dia do repouso foi feito para o homem e não o homem para o dia do repouso (Mc 2.27); mas estão proibidas todas as tarefas supérfluas, vaidosas, ou dar-se o gosto de qualquer forma. Comerciar, pagar salários, arranjar contas, escrever cartas de negócios, estudos seculares, visitas supérfluas, viagens ou conversações levianas, não guardam santo este dia para o Senhor. A preguiça e a indolência podem ser um repouso carnal, porém não santo. O dia de repouso para o Senhor deve ser um dia de descanso do trabalho secular, para repousar no serviço de Deus. As vantagens da devida observância deste dia santo, embora somente fossem pela saúde e a felicidade da humanidade, além do tempo que outorga para o cuidado da alma, mostram a excelência deste mandamento. O dia é bendito; os homens são abençoados por ele e nele. A bênção e a ordem de guardá-lo santo não se limitam a um sétimo dia, senão que se dizem do dia de repouso.

Por  Matthew Henry

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