Unidade no corpo de Cristo, segundo Efésios.

unidade 2. Unidade no corpo de Cristo — 2.13-18

Com a expressão "mas agora", o versículo 13 inicia mostrando o contraste da vida nova com a velha. Essas palavras indicam a posição presente dos crentes e, quando a continuação do verso diz "em Cristo Jesus", temos uma visão de nosso estado de perdição antes de conhecer a Cristo. É um paralelo que o apóstolo faz entre a velha vida (vv. 11,12) e a nova vida conquistada pela obra da redenção (v. 13).

Notemos os contrastes: antes, "sem Cristo" e agora "em Cris­to"; antes, separados e excluídos, mas agora "chegastes perto" (v. 13); antes, separados "na carne", agora unidos "em um mesmo Espírito" (v. 18).

O poder da unidade nesse novo pacto de Deus com o homem está no "sangue de Cristo", expresso no verso 13: "… vós que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto". Antes estávamos "longe", agora, "em Cristo", estamos "perto". A expressão "estáveis longe" refere-se aos gentios que puderam aproximar-se de Deus pelo poder do sangue de Cristo. Não há mais barreira que impeça nossa aproximação. Antes, por causa de nossos pecados, estávamos afastados, sem possibilidade de re­missão pelo sistema sacrificial comum em Israel, mas Cristo se fez "Cordeiro de Deus" e, sendo sacrificado espontaneamente, vertendo seu sangue precioso no Calvário, desfez as barreiras, removeu o pecado e nos uniu em si mesmo.

2.1. Cristo é feito paz e reconciliação — vv. 14,15

"Porque ele é a nossa paz" (v. 14), ou seja, Ele foi o meio de reconciliação entre Deus e o homem. Ele cumpriu toda a lei, que não podíamos cumprir, para nos justificar da condenação. A lei era um pacto de obras e exigia uma obediência perfeita da parte do homem. A justificação perante Deus estava implícita na obediência à lei, mas o homem não podia cumpri-la. Jesus, então, subjugou-se à exigência da lei e cumpriu-a por nós. Pelo seu sangue, nossa expiação foi feita. A justiça divina não foi adiada, mas cumprida integralmente. Nossa paz com Deus foi restituída por Jesus (Rm 5.1).

"Na sua carne desfez a inimizade" (v. 15). Que entendemos por "inimizade"? Essa inimizade tinha sentido social e religioso. Religiosamente, os judeus eram inimigos dos gentios porque es­tes eram pagãos, isto é, serviam a outros deuses. Socialmente, eram inimigos dos gentios porque não eram circuncidados. Entre­tanto, Paulo destacou a necessidade de quebrar essa inimizade, esse sentimento hostil e de animosidade, por um sentimento fraternal. O termo "inimizade" diz respeito também ao muro de separação existente entre ambos os povos, mas Jesus veio para destruir esse muro através da sua obra na cruz.

"… a lei dos mandamentos que consistia em ordenanças" (v. 15) indica que a legislação mosaica foi abolida; não só a cerimo­nial, mas toda a lei, com todas as suas ordenanças. Cristo, pela "sua carne", desfez toda a condenação da lei, criando a "lei do espírito de vida" (Rm 8.2), que desfaria toda a inimizade e dife­renças para unir todos quantos cressem em Cristo, formando um só povo, "em um corpo" (v. 16).

2.2. Em Cristo, a verdadeira unidade — vv. 15-17

2.2.1. A paz. reconciliadora

"Fazendo a paz" (v. 15), isto é, promoveu a verdadeira unidade, no seu coipo, de ambos os povos — judeus e gentios. Não foi uma unidade exterior e mecânica, mas interior e espiritual. Fomos recon­ciliados com Deus "em um corpo" (v. 16). Cristo nos libertou da lei como pacto de obras pelo fato de Ele mesmo ter-se sujeitado a ela (Gl 4.5). Ele recebeu a pena da lei (Gl 3.13) em seu corpo (Rm 7.4; Cl 1.22) na cruz do Calvário (Gl 2.14).

2.2.2. "Dos dois, um novo homem"— v. 75

"… para criar em si mesmo dos dois um novo homem". A unidade espiritual dos dois povos (judeus e gentios) foi feita por Cristo "em si mesmo", isto é, no seu corpo, criando uma nova humanidade. Deus trata a ambos os povos como um só indivíduo. É uma nova criação que só acontece com a obra regeneradora do Espírito Santo (Tt 3.5). A nova criação, ou seja, "o novo homem", aqui representado pelo povo de Deus (a Igreja), não pode ser tratado separadamente do seu contexto. O termo "novo homem" não pode ser interpretado isoladamente porque ele está devidamente preso pelo seu contexto espiritu­al, que fala da nova criação em Cristo, formando dos dois povos um só.

2.2.3. O elo da reconciliação, a cruz v. 16

No verso 16, a cruz de Cristo serviu de elo de reconciliação e também de destruição. A cruz foi o ímã para a reconciliação dos homens com Deus (Rm 5.10; 2 Co 5.18-20; Cl 1.20), mas foi também o símbolo de morte e destruição das inimizades existen­tes entre Deus e o homem.

No versículo 17 Paulo afirma que "ele [Jesus] evangelizou a paz" aos que estavam longe (os gentios), e aos que estavam perto (os judeus).

2.3. Em Cristo, acesso a Deus pelo Espírito Santo v. 18

"Porque por ele ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito". A unidade espiritual de judeus e gentios em Cristo permite que tenham acesso ao Pai. Como? Vemos a Trindade em ação quando o Pai promove a unidade: o Filho a executa e o Espírito Santo a mantém.

O Filho é o mediador da nova aliança. E aquele que padeceu uma vez pelos pecados, isto é, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus (1 Pe 3.18). O Espírito Santo opera a obra regeneradora: Ele convence o homem dos seus pecados e aplica a obra remidora no homem. O Pai recebe o pecador remido. O mesmo Espírito que nos santifica é o que unifica todos os crentes para terem acesso a Deus, o Pai. Assim como o espírito humano vivifica o homem, assim "o novo homem" em Cristo, a Igreja, é vivificado pelo Espírito Santo.

"Ambos temos acesso". Ambos os povos, judeus e gentios. em Cristo Jesus se inter-relacionam, isto é, se ligam e se unem. Têm as mesmas vantagens e privilégios, e passam a ter a mesma posição comum no corpo de Cristo (1 Co 12.12). Ambos são um nele. O Espírito Santo é quem nos introduz no corpo de Cristo, e assim temos acesso ao Pai através do corpo de seu Filho. Jesus declarou certa feita: "Ninguém vem ao Pai senão por mim" (Jo 14.6). Essa declaração fortalece o fato de que por Jesus chega­mos ao Pai.

2.4. Em Cristo, as diferenças são desfeitas v. 19

No verso 19 o apóstolo apresenta o fruto da obra de Cristo: a unidade conquistada pela sua cruz. As diferenças são desfeitas. O poder unificador do Espírito opera através do sangue de Cristo e faz com que todos os crentes de todas as raças, línguas e povos formem um só povo, uma só família, e os torna "concidadãos dos santos". Somos agora a família da fé. Antes éramos estrangeiros, agora, em Cristo, formamos uma nova raça, uma nova família.

Trecho da Obra:

CABc Comentário Bíblico: Efésios …/ Elienai Cabral 3ª Ed. – Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus, 1999 p. 168 CM. 14X21

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